A Polêmica Fundação da Villa das Lages – Ofício de 08/01/1767 – Anexo 2

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25/02/2015 por FG Rincão da Forquilha

A fundação da Villa das Lages fez parte de uma polêmica disputa territorial entre as Províncias de São Paulo e de Rio Grande de São Pedro. (https://pioneirosdaslagens.wordpress.com/2014/09/18/polemica-fundacao-da-villa-de-lages-oficio-de-08011767/)

Carta nº2 do Morgado de Mateus, Governador da Capitania de São Paulo informando que contratou o bandeirante Antonio Correia Pinto de Macedo para a fundação de uma vila na paragem das Lages. Também tece suas considerações sobre os limites entre as duas capitanias.

Original arquivado na Caixa 79, documento sob nº 7144 do Arquivo Histórico Ultramarino, no Rio de Janeiro.

Segue abaixo a transcrição da carta (anexo nº2):

“Anexo Nº2

Cópia da Carta do Capitão General de São Paulo, escrita ao Governador do Rio Grande de São Pedro.

Tendo Sua Majestade que Deus Guarde determinado encarregar-me do Governo desta Capitania, na mesma forma e com a mesma jurisdição que já antecedentemente o houve nela, foi o mesmo Sr. servido restituir a mesma Capitania do seu antigo estado. E outro fim desejando S. Majestade consolidar os Domínios das suas Capitanias do Brasil pelos meios mais próprios; não só em quanto ao estabelecimento da sua economia interior, mas ainda enquanto a conservação e defesa deles determinou o mesmo Sr.; que nos lugares que se achassem mais próprios nos Sertões, e fronteiras deste Estado, se fundassem Vilas e Aldeias que aumentassem a Povoação e defesa dela, as que atendendo e desejando cumprir o que nas referidas ordens me é determinado; sem dar-me presente por informações que tomei sobre esta importante matéria das pessoas mais práticas, sertanejas; e experientes deste País que contratei para o referido a grande utilidade que se seguiria a este Estado e aos viandantes do Caminho de Viamão que nos Campos das Lages houvesse uma povoação em que se congregassem os Povos que ali se acham já estabelecidos, e outros que de novo ei de mandar, não só para viverem com civilidade, mas juntamente para terem Capela e Sacerdotes, que lhes administre os Sacramentos os quais Campos me consta que o Desembargador Ouvidor de Santa Catarina Manoel José de Faria tinha deixado, e demarcado para confins desta Capitania, na ocasião em que foi erigir em Vila a Povoação do Rio Grande; e estabeleceu os limites entre a jurisdição das Câmaras da dita Vila do Rio Grande e da de Curitiba, sem embargo de que por papéis antigos da Secretaria deste Governo, que Sua Majestade manda restituir ao seu antigo estado tenho achado que a sua jurisdição se deve estender até cima da Serra de Viamão, onde há bastante moradores e fazendas as quais se acham justamente debaixo da melhor, e mais pronta administração da justiça de V.Sa., em cujos termos eu não pretendo outra coisa mais do que fazer a Sua Majestade o serviço de lhe procurar estabelecer uma Povoação; ou Vila nos referidos Campos das Lages, por serem largos e ter rios caudalosos e de pescaria, e torna muito acomodada não só para fundar uma povoação, mas para fazer um grande número delas, como também ser conveniente fazermo-nos senhores da passagem e navegação do Rio das Pelotas, e fixar a estrada que podem dar aquelas Campanhas aos Índios de Missões, se se quiserem introduzir nesta Capitania; e no caso de ataque pode-se fazer rigor na defesa sobre o dito Rio das Pelotas, que atravessa aquele vastíssimo ponto, atendendo a todas estas Comodidades do serviço de Sua Majestade; ao Bem Público dos seus Vassalos, como também as necessidades espirituais dos moradores que já hoje há naquelas terras, que pela distancia em que vivem não podem ser assistidos dos Párocos e Sacerdotes que lhe ficam apartados mais de cento e cincoenta léguas de sorte que nem ainda podem ser desobrigados do preceito da Quaresma encarreguei a Antônio Correia Pinto por conviverem nele todas as qualidades necessárias a diligência de fundar a sobre dita Povoação fazendo levantar Igreja; e conservar nela Sacerdotes mediante as licenças necessárias do Ordinário que para isso leva, o qual a custa da sua fazenda; e com grande despesa sua se aprontou assim executar este desígnio pelo que o fiz Capitão mor Regente daquele Distrito, de que deu juramento; lhe passei as ordens necessárias para poder exercitar este emprego. Assim tudo participo a V.Sa. não só para que por Serviço de Sua Majestade que Deus Guarde, auxilie dando-lhe toda a ajuda e favor e franqueando-lhe os oficiais necessários, ferramentas e mais provisões que ele queira comprar para as suas obras, como também para que V.Sa. me faça a mercê pelo que lhe toca de me ajudar a cumprir com o que é tanto do agrado de Sua Majestade que Deus Guarde e tão recomendado pelas Suas Reais Ordens, sendo todo o meu interesse, e todo o meu desejo como fiel vassalo, que sou do mesmo Senhor procurar quanto me é possível o aumento de seus Estados, e da Sua Monarquia. Deus Guarde a V.Sa. muitos anos. São Paulo 16 de Agosto de 1766. = D. Luis Antônio de Souza = Sr. Coronel Jozé Custodio de Sá e Faria =”

Assinatura na carta original

Assinatura na carta original

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