Notícia Particular do Continente do Rio Grande do Sul

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06/12/2016 por FG Rincão da Forquilha

Notícia particular do Continente do Rio Grande do Sul elaborada em 19/01/1780 por Sebastião Francisco Betamio ao Vice-Rei do Brasil Luís de Vasconcelos e Sousa.

Transcrevemos da introdução até as notas da vila de Viamão, pois é uma breve história dos primórdios da ocupação do Rio Grande e também a base histórica para o início da ocupação dos campos de cima da serra, realizado por parte daqueles que vagavam pelo continente, após a invasão espanhola.

Segue abaixo a transcrição do texto que se encontra arquivado na Biblioteca Nacional – Coleção Castelo Melhor – Ofícios entre os governadores e responsáveis pelo governo do Rio Grande e o vice-rei do Estado do Brasil, Luis de Vasconcelos e Souza, 1780.

Ilmo. e Exmo. Sr. Em cumprimento da Ordem de V. Excia. Ofereço com esta Notícia particular do Continente do Rio Grande, com as Notas do que me parece necessário, tanto para aumento do mesmo Continente, como para utilidade da Fazenda Real.

A inesperada Ordem de V.Excia a este fim, as mairoes notícias que para ele se faziam necessárias, a que me não deram lugar a incumbências da Fazenda Real em ocasião de quem; o pouco tempo que me permite a minha viagem para a Corte de Lisboa; e sobretudo o meu diminuto talento; serão motivos bastantes para que V. Excia. Se digne relevar as falhas e errros que se encontrarem. Assim o espero da benignidade de V. Excia., servindo-se somente de acreditar os sinceros desejos que tenho de concorrer para os Reais Interesses, a favor dos quais tão distintamente se empenha a Pessoa de V. Excia., cuja vida e saúde Deus guarde por muitos e felizes anos. Rio de Janeiro aos 19 de Janeiro de 1780. / Ilmo. e Exmo. Sr. Luis de Vasconcelos e Sousa / De V. Excia / o mais humilde e fiel Servo/ Sebastião Francisco Betamio/

Notícia particular do Continente do Rio Grande do Sul, segundo o que vi no mesmo Continente, e notícias que nele alcancei, com as Notas, do que me parece necessário para aumento do mesmo Continente e utilidade da Real Fazenda. Dada no ano de 1780 por ordem do Mmo. E Exmo. Sr. Luis de Vasconcelos e Sousa, do Conselho de S. Magestade, Vice-Rei e Capitão General de Mar e Terra do Estado do Brasil.

1º Porto Alegre

Esta povoação a que muitos chamam Vila, e nos papéis públicos se diz = nesta denominada Vila de Porto Alegre= é onde reside o Governador do Rio Grande; a Junta da Fazenda Real; o Provedor da mesma Real Fazenda; a Câmara; o Juiz Ordinário; o Juiz de Órfãos; e todos os mais Oficiais que constituem o Corpo Civil; além da Tropa que ali reside a arbítrio do governador; tendo também Armazéns Reais e Marinha. É situada no Rio de São Pedro, acima da Lagoa dos Patos, em distância por mar de mais de 40 léguas da Barra do dito Rio; e por terra 62 léguas. As viagens por mar costumam de ordinário ser mais demoradas, que as da terra pelas muitas voltas, que faz o Rio, devendo-se esperar em cada uma o vento favorável. Tem o Rio um baixo em distância de 12 até 14 léguas da Barra, onde chamam Canguçú, e onde não passam as embarcações que dependem de mais de 9 palmos de água carregadas.

Nota: No ano de 1763 foi invadida pelos castelhanos a Vila de São Pedro do Rio Grande, que então era considerável, e retirando-se dali os portugueses, andaram vagando por todo o Continente, sem assentarem a parte, onde se estabeleceram; muitos foram para a Ilha de Santa Catarina, outros para Porto Alegre, então Porto dos Casais; e outros se arrancharam em diferentes sítios do Continente, até que o Brigadeiro Jozé Custódio elegeu o sítio de Viamão para ajuntar ali os moradores que tinham saído da Vila de São Pedro. A distância do Porto de mar fez parecer útil formar-se a Povoação em Porto Alegre e como feito desde o ano de 1773 se trabalha ali, e se temfeito a custa da Fazenda Real alguns edifícios de valor, e os particulares também os tem feito pela necessidade de acompanharem a Capital. Os moradores que ocupavam a Vila de São Pedro, e nela tinham suas propriedades de casas, foram os mesmos que as fizeram em Viamão, e que depois também as foram fazer em Porto Alegre, bastando só considerar esta despesa, ainda não fazendo menção de outros prejuízos, para se supor aquele povo arrastado.

2º Viamão

Serviu de Capital, desde a invasão da Vila do Rio Grande até o ano de 1773, em que se passou para Porto Alegre. É situado distante da Barra do Rio Grande por terra 58 ½ léguas, sendo o Porto de mar que tem mais próximo o de Porto alegre em distância de 3 ½ léguas.

Nota: O sítio de Viamão é excelente, e seria sem comparação a nenhum outro, se tivesse Porto de mar; estava bastantemente cheio de moradores, que tinham feito excelentes propriedades de casas como o Continente não tem em outra alguma parte; acha-se também um bom Templo; várias quintas V., que tudo fazia já uma povoação agradável, a qual durou até o ano de 1773, e ainda depois muitas famílias se conservaram alguns anos pela rupugnância que tinham, a deixar as propriedades, que possuiam, mas não puderam resistir, e com efeito se passaram para Porto Alegre, deixando Viamão com poucos moradores, e ficando por esta causa de todo desamparado, e perdidos a maior parte dos belos edifícios, que tem.”

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