Massacre dos Índios na Campanha da Vacaria – Cronologia dos Fatos

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07/12/2016 por FG Rincão da Forquilha

As escaramuças entre índios e fazendeiros da Campanha da Vacaria resultaram no massacre de 1779. Mas a cronologia dos fatos é bem mais antiga.

Os jesuítas estabeleceram as primeiras reduções na margem esquerda do rio Uruguai por volta de 1626. Os primeiros aldeamentos do Tape foram destruídos pelos bandeirantes em 1641, que buscavam capturar índios na região, para escravizá-los nas plantações de São Paulo. O gado que foi deixado para trás se reproduziu formando uma reserva conhecida como Vacaria del Mar.

Em 1682 os jesuítas voltam ao Rio Grande e fundam os Sete Povos das Missões. Em 1709, transferem 80.000 reses para a região de Vacaria, formando a Vacaria del Piñar.

Em 13/01/1750 é assinado o Tratado de Madri, pelo qual a região dos Sete Povos passou a pertencer a Portugal.

Como os índios guaranis se recusavam a abandonar a região, deu-se início a Guerra Guaranítica, concluída em 1756 com a total derrota dos guaranis.

Em 1767 as forças espanholas expulsam os jesuítas e assumem o controle da região.

Provável que parte dos índios passaram a vagar pelas matas da região, vivendo como nômades a base da caça.

Logo que as primeiras propriedades se estabeleceram na serra, principiaram os contatos com os silvicolas, resultando em embates, destruição de propriedades e mortes.

Em 26/06/1778, o capitão Joaquim José Pereira, grande proprietário de terras e escravos, organizou e passou a comandar a Companhia de Cavalaria Auxiliar de Vacaria, com o objetivo de defender as propriedades dos ataques dos índios.

O personagem central deste episódio da história, foi o capitão Joaquim José Pereira, comandante da Companhia de Cavalaria Auxiliar de Vacaria. O massacre ocorreu em meados de dezembro/1779 e gerou protestos e pedidos de explicação do vice-rei das Províncias do Rio da Prata ao vice-rei do Brasil.

A seguir a cronologia dos fatos ocorridos em 1779 e os desdobramentos extraídos dos ofícios entre governadores e responsáveis pelo governo do Rio Grande e o vice-rei do Estado do Brasil, Luís de Vasconcelos e Sousa, 1780 e 1781, arquivados na Biblioteca Nacional – Coleção Castelo Melhor.

CRONOLOGIA DOS FATOS E DESDOBRAMENTOS

02/12/1779 – Índios atacaram 4 homens que estavam a caça de escravos fugitivos, nos fundos dos Campos da Vacaria, flechando e matando um deles, Antonio Martins.

07/12/1779 – Índios atacaram a fazenda de José Alves, matando 3 escravos, 29 cavalos, 50 ovelhas e roubando os móveis da casa.

Dias depois roubaram na fazenda do tenente Apolinário e na fazenda Santa Rita. Durante a invasão da fazenda do furriel Cipriano da Costa fugiram 10 homens e os índios roubaram e mataram todos os animais que encontraram.

Dois a três dias depois destes acontecimentos, numa incursão na mata, o alferes da Companhia Auxiliar, Manoel da Fonseca Paes encontrou um grupo de índios, matando 2 deles.

Cinco dias depois, os índios atacaram a casa do alferes, roubaram o que tinha em casa e mataram os animais. Dali os índios voltaram para a fazenda do Cipriano da Costa, onde encontraram a Companhia Auxiliar do capitão Joaquim José Pereira, com 60 homens. No embate foram mortos mais de 60 índios.

18/12/1879 – O capitão-mor da vila de Lages, Antonio Correa Pinto, relata o ocorrido ao general da Capitania de São Paulo, dizendo que os moradores de Lages também estavam temerosos com um possível ataque dos índios.

28/03/1780 – Ofício do vice-rei das Províncias do Rio da Prata ao vice-rei do Brasil exigindo apuração e tomada de providências para a ocorrência de desordem entre índios e portugueses no sul do Brasil.

18/06/1780 – Ofício do vice-rei do Brasil ao capitão general da Capitania de São Paulo remetendo cópia do ofício do vice-rei das Províncias do Rio da Prata e pedindo providências se o sítio onde ocorreu a desordem entre índios e portugueses pertencesse a seu governo.

19/06/1780 – Ofício do vice-rei do Brasil ao governador da Província do Rio Grande remetendo cópia do ofício do vice-rei das Províncias do Rio da Prata e pedindo providências se o sítio onde ocorreu a desordem entre índios e portugueses pertencesse a seu governo.

16/07/1780 – Resposta governador da Província do Rio Grande ao ofício de 19/06/1780 do vice-rei do Brasil, informando que os fatos relatados ocorreram na Capitania de São Paulo.

20/07/1780 – Carta do capitão general da Capitania de São Paulo ao vice-rei do Brasil informando que o fato ocorreu nos Campos da Vacaria, pertencente a Província do Rio Grande. Anexa carta de Correa Pinto.

26/09/1780 – Ofício do vice-rei do Brasil ao governador da Província do Rio Grande mostrando que o sítio onde sucedeu a desordem entre índios e portugueses pertence a seu governo, conforme carta do capitão general da Capitania de São Paulo, anexada ao ofício.

09/11/1780 – Resposta do governador do Rio Grande ao ofício de 26/09/1780, dizendo que estava desenganado de que os fatos tivessem sucedido na Campanha da Vacaria e de que os fatos entre índios e portugueses tinham sido bem diferentes do que reclamava o vice-rei do Rio da Prata. Referente aos fatos já tomara providências.

09/12/1780 – Ofício do vice-rei do Brasil ao governador da Província do Rio Grande, respondendo ao ofício de 09/11/1780 em que o governador diz estar desenganado de que o fato sucedera na Campanha da Vacaria, que fora muito diverso do que tinha figurado o vice-rei do Rio da Prata e que aprovava todas as providências que o governador viesse a tomar, e que de tudo lhe desse parte.

14/03/1781 – Ofício do governador do Rio Grande ao vice-rei do Brasil comunicando que no dia seguinte vai aos distritos de cima da Serra e Vacaria para apuração dos fatos.

14/04/1781 – Ofício do governador do Rio Grande ao vice-rei do Brasil informando da desordem em que se encontravam os distritos de cima da Serra e Vacaria e das providências que dera para evitar o desamparo das fazendas e seus habitantes. Remete os documentos que provam que as queixas do vice-rei do Rio da Prata eram infundadas.

21/05/1781 – O vice-rei do Brasil responde aos ofícios de 14/03/1781 e 14/04/1781 de que aprova todas as providências tomadas pelo governador e recomenda diligências mais eficazes para que ali se conservem seus habitantes.

02/12/1781 – Ofício do governador do Rio Grande ao vice-rei do Brasil informando que a melhor pessoa para se ocupar da segurança da Campanha da Vacaria seria o alferes da Cavalaria Auxiliar, Manoel da Fonseca Paes. Como o mesmo se encontra na miséria recomenda provê-lo no posto de tenente da Cavalaria Ligeira.

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