Abertura do Caminho dos Conventos – Conforme Francisco de Souza e Faria

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22/11/2019 por FG Rincão da Forquilha

A abertura do Caminho dos Conventos atendeu a necessidade de uma via terrestre transitável por tropas ligando Colônia do Sacramento a São Paulo. Este foi o caminho utilizado pelos tropeiros até pelo menos 1738.

A partir da fundação da Colônia do Sacramento em 1680, a coroa portuguesa se preocupou com o isolamento deste avançado ponto dos domínios portugueses.

Depois do Tratado de Utrecht se estabeleceu o Caminho da Praia, que ligava por terra Colônia do Sacramento e Laguna. A partir daí havia uma variação ligando Laguna e São Francisco do Sul e pelo Caminho dos Ambrósios se chegava a Curitiba.

Com o advento do Ciclo do Ouro aumentou muito o fluxo de animais para atender as necessidades de abastecer as minas com tração e alimentação. Então surgiu a necessidade de se estabelecer um caminho seguro para dar suporte a este crescente fluxo.

Em 23/05/1720, Bartolomeu Pais de Abreu envou carta ao rei de Portugal propondo abrir uma nova rota em troca de algumas mercês. Esta proposta foi aceita, mas só concretizada mais tarde.

Em 1727 o Governador da Capitania de São Paulo, Antônio Caldeira da Silva Pimentel contratou os serviços do sargento-mor Francisco de Souza e Faria para abertura de um caminho ligando Laguna a Curitiba.

Souza Faria tinha ordens e prerrogativas para requerer ferramentas, mantimentos, armamentos, gados e recrutamento de pessoas nas Vilas por onde passasse visando atingir os objetivos da empreitada.

De acordo com depoimento dado ao padre Diogo Soares em 1738, Francisco de Souza e Faria saiu de São Paulo em 20/09/1727.

Embarcou em Santos na sumaca de João Martins Roza com 35 pessoas. Foram 3 dias de viagem até Paranaguá, onde permaneceu 30 dias recrutando pessoas.

De Paranaguá até a Vila de São Francisco foram mais 5 dias de viagem, permanecendo mais 30 dias nos preparativos e recrutamento de pessoas.

Da vila de São Francisco foram mais 8 dias de viagem na mesma sumaca até a Ilha de Santa Catarina, onde permaneceu mais 9 dias nos preparativos e recrutamento de pessoas.

De lá marchou por terra até a vila de Laguna com 96 pessoas. Permaneceu 60 dias em Laguna nos preparativos.

Marchou com 63 pesssoas até o rio Araranguá, onde no sítio chamado Conventos deu início ao caminho em 11/02/1728. Chegou nos campos gerais de Curitiba no dia de Nossa Senhora da Luz 02/02/1730. Metade do tempo foi gasto na abertura do caminho até o alto da serra.

No alto da serra relata que há campos e pastagens admiráveis e neles imensidão de gado lançado ali pelos tapes das aldeias jesuitas em 1712.

Meses depois de sua conclusão Cristóvão Pereira de Abreu fez um atalho no alto da serra e passou com a primeira tropa.

A íntegra  do relato de 21/02/1738 do sargento-mor da cavalaria Francisco de Souza e Faria ao padre Diogo Soares foi publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Tomo LXIX, parte I, pags. 238 a 243.

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